Porque eu sou assim?
- Giovanna Riça

- há 3 dias
- 1 min de leitura
A tirinha de hoje parte de uma pergunta simples: e se, em vez de dizer "eu sou assim", começássemos a perguntar "como eu aprendi a ser assim?".
Às vezes, tratamos a forma como pensamos, sentimos ou agimos como se fosse algo fixo. Como se existisse uma essência dentro de nós explicando tudo o que fazemos.
Mas a nossa história costuma ser mais complexa do que isso.
Ao longo da vida, aprendemos diferentes maneiras de existir. Em alguns contextos, nos sentimos à vontade para falar, experimentar e fazer escolhas. Em outros, aprendemos que era mais seguro concordar, silenciar ou evitar conflitos.
Esses modos de agir não surgem do nada. Eles fazem parte da nossa história de relações e dos contextos em que vivemos.
Talvez algumas estratégias que hoje tragam sofrimento tenham sido, em outro momento, a melhor forma que você encontrou para lidar com o que estava vivendo.
Olhar para essa história não significa justificar o sofrimento. Significa compreendê-lo.
E compreender é diferente de se conformar.
Quando entendemos como certos modos de agir foram sendo construídos, deixamos de perguntar apenas "o que há de errado comigo?" e passamos a perguntar "o que aconteceu para que isso fizesse sentido?".
A terapia pode ser um espaço para fazer esse percurso: olhar para a própria história com curiosidade, ampliar a compreensão sobre si e construir novas formas de se relacionar consigo, com os outros e com o mundo.
Referência: Ruiz, M. R. (1995). B. F. Skinner’s radical behaviorism: Historical misconstructions and grounds for feminist reconstructions. Psychology of Women Quarterly, 19(2), 161–179. https://doi.org/10.1111/j.1471-6402.1995.tb00285
Ilustração feita por Clara C. Sanches.







